A língua é o mais democrático e o mais desigual dos instrumentos humanos. Todos a possuem — mas nem todos dominam a forma exigida nos espaços de poder acadêmico e social.
Segundo Bortoni-Ricardo (2004), o Brasil é uma nação com grande variação linguística, onde convivem a norma-padrão — prestígio formal exigido em concursos, vestibulares e espaços acadêmicos — e a norma não padrão, igualmente legítima e expressiva, mas não reconhecidas oficialmente.
Dominar a norma culta não é abandonar a própria língua. É ampliar o repertório.
Linguagem é a capacidade humana de comunicar sentidos. Língua é o sistema de sinais compartilhado por uma comunidade. Gramática é a descrição desse sistema — e se subdivide em morfologia (forma das palavras), sintaxe (relação entre elas), semântica (sentido), estilística (expressividade) e fonologia (sons).
Quem domina esse sistema acessa universidades, concursos e posições de liderança. Língua é sinônimo de ascensão.
Para Paulo Freire (1989), "a leitura do mundo precede a leitura da palavra" — antes de decodificar letras, o ser humano já lê a realidade ao seu redor. Escrever bem é, portanto, pensar o mundo com clareza e expressá-lo com precisão.
A linguagem é a capacidade humana de comunicar sentidos por meio de signos. Esses signos podem se manifestar de formas diferentes, originando três tipos fundamentais de linguagem.
A língua não é uniforme. Ela varia conforme o falante, a região, o tempo e a situação comunicativa. Segundo Bagno (2007), o preconceito linguístico nasce de ignorar essa diversidade natural e legítima.
As variações se classificam em quatro eixos principais:
Toda vez que você manda um áudio no WhatsApp, posta uma foto ou escreve uma redação, está realizando um ato comunicativo. Roman Jakobson (1960) identificou que todo ato de comunicação envolve seis elementos — e cada um deles é essencial para que a mensagem chegue e faça sentido.
Mas só isso não basta. A comunicação também depende de:
Cada elemento do ato comunicativo gera uma função diferente. Jakobson identificou seis — e você já usou todas hoje, talvez sem perceber.
Este material nasceu da convicção de que a escrita não é um dom reservado a poucos — é uma habilidade que se desenvolve com método, prática e orientação de qualidade.
O RedaCheck é um parceiro pedagógico que acompanha sua evolução, redação a redação, apontando não apenas os erros, mas o caminho para superá-los.
Nossa filosofia se apoia em Paulo Freire: "Não é possível ensinar sem que o educando aprenda, nem aprender sem que, de alguma forma, o educador também aprenda." Cada avaliação é um diálogo — não uma sentença.
As palavras da língua portuguesa classificam-se em dez classes gramaticais. Dividem-se em variáveis — que se flexionam em gênero, número ou pessoa — e invariáveis — que não sofrem flexão.
Palavras variáveis: substantivo, artigo, adjetivo, numeral, pronome e verbo. Palavras invariáveis: advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
As variáveis flexionam-se em gênero (masculino/feminino: o livro / a carta), número (singular/plural: o texto / os textos) e grau — aumentativo ou diminutivo (livrão / livrinho) e comparativo ou superlativo (mais belo / belíssimo).
Substantivo — nomeia seres, objetos, sentimentos, lugares e ações: casa, amor, Brasil.
Artigo — antecede o substantivo, determinando-o: o, a, um, uma.
Adjetivo — qualifica ou caracteriza o substantivo: belo, justo, crítico.
Numeral — indica quantidade, ordem ou fração: dois, primeiro, metade.
Pronome — substitui ou acompanha o nome: eu, meu, este, quem.
Verbo — expressa ação, estado ou fenômeno situando-os no tempo: escrever, ser, chover.
Advérbio — modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio: muito, bem, ontem.
Preposição — liga termos estabelecendo relação de dependência: de, em, por, para.
Conjunção — liga orações ou termos de mesma função: e, mas, porque, portanto.
Interjeição — exprime emoção ou chamado de forma sintética: Ah! Uau! Psiu!
| Classe | Variável? | Exemplo |
|---|---|---|
| Substantivo | Sim | casa, amor |
| Artigo | Sim | o, a, um, uma |
| Adjetivo | Sim | belo, justo |
| Numeral | Sim | dois, primeiro |
| Pronome | Sim | eu, meu, este |
| Verbo | Sim | escrever, ser |
| Advérbio | Não | muito, bem |
| Preposição | Não | de, em, por |
| Conjunção | Não | e, mas, porque |
| Interjeição | Não | Ah! Uau! |
A acentuação gráfica é o conjunto de regras que determina o uso dos sinais agudo (´), circunflexo (^) e til (~) sobre as vogais tônicas das palavras. No Brasil, rege-se pelo Acordo Ortográfico de 2009, em vigor desde 2016.
As palavras classificam-se pela posição da sílaba tônica:
A colocação pronominal trata da posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. Segundo Cegalla (2008), há três posições possíveis:
Sujeito — ser sobre o qual se faz a declaração. Predicado — tudo o que se declara sobre o sujeito: "A leitura | transforma o indivíduo."
O verbo transitivo direto exige complemento sem preposição — o objeto direto: "Li o livro." Responde à pergunta "o quê?" ou "quem?"
O verbo transitivo indireto exige complemento com preposição — o objeto indireto: "Gosto de escrever." Responde com preposição: "de quê? a quem?"
O verbo transitivo direto e indireto exige os dois complementos: "Dei o livro ao aluno."
O adjunto adnominal caracteriza ou determina o substantivo: "A boa escrita dissertativa revela domínio."
O adjunto adverbial indica circunstância de tempo, lugar, modo ou causa: "Escreveu com clareza ontem."
Regência é a relação de dependência entre um termo e seu complemento. A regência verbal diz respeito ao verbo; a regência nominal, ao nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).
Segundo Antunes (2009, p.47), a coesão é a propriedade pela qual os elementos da superfície textual se interligam, formando uma cadeia linguística contínua. Um texto coeso é aquele em que as partes se encadeiam de forma clara e progressiva.
Marcuschi (2008) distingue dois tipos fundamentais:
Se a coesão é a superfície do texto, a coerência é sua profundidade. Segundo Marcuschi (2008, p.118), a coerência diz respeito à continuidade de sentido — à lógica que sustenta o texto como um todo compreensível.
Beaugrande & Dressler (1981 apud Marcuschi) estabelecem sete critérios de textualidade, dos quais os dois centrais são:
Para Marcuschi (2002, p.19), os gêneros textuais são formas socialmente reconhecidas de usar a linguagem — textos que circulam em determinados contextos com propósitos e estruturas relativamente estáveis. Não confunda com tipo textual: o tipo é a estrutura (narração, descrição, argumentação); o gênero é a forma social (carta, notícia, dissertação, editorial).
Segundo Marcuschi (2008), todo texto dialoga com outros textos — é essa relação que chamamos de intertextualidade. Na redação, ela é o principal instrumento de repertório sociocultural exigido pela C2 do ENEM.
Os 5 elementos obrigatórios da C5 do ENEM:
Argumentar é construir um raciocínio sustentado. A tríade do bom argumento:
Freire nos ensina que ler não é decodificar letras — é compreender o mundo para poder expressá-lo. Quem lê mais, escreve com mais repertório, mais argumento, mais vida.
Ler todos os dias não é obrigação — é investimento. Cada texto amplia o repertório, afina o vocabulário e desenvolve a percepção das estruturas argumentativas.
Comece com 15 minutos diários:
Que tal você aproveitar todos os espaços com possibilidade de escrita e otimizar sua prática? Você pode não perceber, mas sua produção escrita é cotidiana e está na palma de sua mão.
Sim. É isso mesmo! Com as redes sociais, a prática de leitura, escrita, fala e escuta é mais que um hábito. Aproveite esses espaços e desenvolva textos completos.
Claro que é muito massa entrar na vibe do internetês. No entanto, quanto mais você usar a língua portuguesa dentro daquilo que é exigido oficialmente, mais você afina a sua escrita.
WhatsApp, Instagram, TikTok, X (Twitter) e várias redes sociais são espaços de escrita real e cotidiana que você pode usar a seu favor.
Reflita sobre isso e aplique essa ideia para ver o quanto escrever nesses espaços, conforme as regras gramaticais, fará seu desempenho melhorar bastante. #ficaadica
Chegou ao final deste guia — mas este é apenas o começo. Escrever bem não é um talento inato: é resultado de prática consciente, leitura constante e disposição para aprender com cada erro.
O RedaCheck estará com você em cada redação, apontando o caminho com rigor e com o cuidado de quem acredita que a escrita transforma vidas.